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Águas de março?

Posted on: junho 19th, 2017 by admin No Comments

Tom Jobim, que faria 90 anos em 25 de janeiro deste ano, já era famoso e conhecido no mundo inteiro quando compôs Águas de março. José Ramos Tinhorão, o grande pesquisador e estudioso da música e do folclore do Brasil, que já era implicado com o pessoal e o movimento da bossa nova dizia que a canção era plágio de um tema folclórico chamado Água do céu, que por sua vez já seria uma variação de um ponto de macumba recolhido em 1933 por J. B. de Carvalho.

Polêmicas à parte, o fato é que Tom, a exemplo de Villa Lobos, pegou o tema, recriou a letra e produziu novos arranjos e hoje em dia parece que poucas pessoas não reconhecem como sua a famosa composição. Por ironia do destino, por volta de 2011, uma verdadeira tromba d’água praticamente destruiu um sítio do próprio Tom na região das serras do Rio, em São José do Vale do Rio Preto.

Já na cidade de São Paulo, cuja única semelhança com Tom Jobim é a coincidência da data de aniversário, as águas chegam antes, começam mais ou menos no final de novembro e vão, às vezes, até o início de abril. E mais do que fechar o verão, elas fecham avenidas, alagam ruas, inundam bueiros e causam todo tipo de transtornos ao cidadão paulistano. A força da água é impressionante e além dos sacos de lixo e todo tipo de entulho, carregam automóveis, derrubam árvores e deixam muitas vezes um rastro de desolação. O pior é que mudam as administrações e pouco ou nada se faz para mudar esse cenário, dizem que resolver problemas como enchentes não rende votos, embora pudesse render a tranquilidade para as pessoas. Seria necessário um planejamento, a reformulação e a modernização da rede de esgotos, a criação de novos parques e áreas verdes que absorvessem parte da chuvarada que cai sem piedade no período do verão. E as águas de dezembro, janeiro, fevereiro e março são pelo menos democráticas, causando estragos tanto na periferia quanto em regiões mais abastadas. Claro que o pobre sofre mais com a situação.

Adoniran Barbosa, um poeta das mazelas urbanas e conhecedor profundo das coisas da cidade, já dizia num samba conhecido: “Não reclama / guenta a mão João / pois a chuva só levou a sua cama”. E completa: “Com o Cibide, aconteceu muito pior…”. A enxurrada levou tamanco, lampião e um par de meia de estimação do Cibide, ou Alcebíades, como deveria ser o nome do personagem, que “tá dando dó na gente / anda por aí com uma mão atrás e outra na frente”. Em uma de suas sacadas geniais, Adoniran inverte o dito popular para rimar frente com gente. Entre a Iracema atropelada e o Joca e o Mato Grosso que perderam sua maloca, Adoniram compôs um outro samba, sem o humor peculiar de suas composições, chamado Despejo na favela, em que reclama do descaso das autoridades com a população menos favorecida, que muitas vezes não tem saneamento básico e menos ainda um tratamento digno de ser humano. Diante dos tratores que derrubam impiedosamente os barracos, o poeta canta: “Pra mim não tem ‘probrema’ / em qualquer canto eu me arrumo…minha mudança é tão pequena / que cabe no bolso de trás…Mas essa gente aí, como é que faz?”

E enquanto a gente vai vivendo esses meses com um olho na meteorologia e o outro nos afazeres diários, vai sonhando também com o dia em que algum político mais preocupado com o bem-estar dos eleitores, resolva, senão acabar, pelo menos reduzir bem os problemas com as chuvas. Nesse dia, Adoniran Barbosa, onde quer que esteja vai ficar muito feliz e Águas de março vai ser apenas mais uma genial composição do nosso maestro soberano.

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