Homenagens

O ser humano, em geral, gosta de homenagens. De tempos em tempos, anualmente, de preferência, profissionais dos mais variados ramos de atividade, elegem os melhores do período e realizam eventos, pomposos ou não, para premiar os felizardos. O Oscar, a festa de Hollywood é a entrega de prêmios mais famosa de todas, embora este ano não tenha chamado tanto a atenção do brasileiro por ter acontecido em pleno carnaval, época em que os brasucas preferem homenagear o rei Momo, o deus Baco e outras tipos de realezas e divindades.
Toda vez que temos uma data redonda, final de uma década ou século, ou até mesmo do milênio, como aconteceu no ano 2 mil, são inevitáveis as listas de melhores do período, embora ninguém tenha visto uma lista de melhores do milênio, porque, convenhamos, que seria extremamente difícil escolher entre Dante Alighieri e Miguel de Cervantes, entre outros gênios, nascidos antes ou depois, como o melhor escritor do tal período. No final de século 20 essa escolha já deu o que falar.
Além das homenagens pontuais, há o reconhecimento histórico. Algumas figuras têm o reconhecimento perene por suas descobertas e invenções ou criações. E entre eles há os cientistas e pesquisadores, que muitas vezes estudam a vida inteira para descobrir uma determinada fórmula ou equipamento e os empresários empreendedores, que mantinham funcionários trabalhando para eles em busca de inovações tecnológicas. Nesta segunda turma estão Thomas Edison e Graham Bell, inventores da lâmpada elétrica e telefone, respectivamente.

Entre os primeiros, uma série de sonhadores, mas todos eles visionários.
Nosso Alberto Santos Dumont inventou ou pelo menos deu a forma final à aviação, fazendo decolar a máquina voadora mais pesada do que o ar, embora os americanos considerem que quem fez isso foram os irmãos Wright. O caso do avião é semelhante a qualquer outro que envolva tecnologia sofisticada, não foi exatamente invenção de uma pessoa, mas uma sequência de experimentos até se chegar ao formato final. E do primeiro avião até hoje, a aviação evoluiu extraordinariamente.
Mais dois brasileiros notáveis foram Osvaldo Cruz e Carlos Chagas, atuando de forma decisiva no combate às doenças tropicais. Osvaldo Cruz comandou a maior campanha de saneamento e limpeza no Rio de Janeiro, eliminado focos de mosquitos transmissores de doenças, além de coordenar campanhas de erradicação da febre amarela e da varíola no Rio e em várias regiões do país. Em homenagem a ele temos o Instituto Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, reconhecido internacionalmente pelas pesquisas que realiza até hoje.

E outra homenagem veio de seu amigo Carlos Chagas, que batizou de Trypanosoma cruzi, o protozoário que causava a tripanossomíase americana, mais conhecida como Doença de Chagas, em homenagem ao próprio. Já trabalhando no Instituto Osvaldo Cruz, Chagas foi chamado para controlar um surto de malária em Itatinga, interior de São Paulo, pois a doença acometia a maioria dos trabalhadores da Companhia Docas de Santos e paralisava as obras de uma represa na região. Realizou então a primeira ação bem-sucedida contra a malária no Brasil, utilizando procedimentos que se tornariam corriqueiros nas campanhas que vieram a seguir.
Santos Dumont, Osvaldo Cruz e Carlos Chagas são apenas os três brasileiros mais conhecidos, que se destacaram por estudar de forma obstinada, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas e produzir o bem da humanidade. Merecem as homenagens, assim como as merecem os cientistas, pesquisadores e estudiosos brasileiros que hoje trabalham, muitas vezes sem apoio oficial e sem condições mais adequadas, com o mesmo nobre objetivo.

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