Mickey Mouse e a cobrinha azul

Desenhado por Ub Iwerks, a partir de uma série de círculos, Mickey Mouse foi o primeiro personagem de Walt Disney a fazer sucesso. Disney, como se sabe, mal sabia desenhar. Era, antes de tudo um empreendedor visionário, com uma série de contradições pessoais, mas deixou um legado importantíssimo para o cinema de animação. É possível conferir um pouco mais sobre o criador de Pato Donald na comédia “Walt nos Bastidores de Mary Poppins”, com direção de John Lee Hancock e uma interpretação extraordinária de Tom Hanks, que mais do que interpretar, parece acreditar que ele é o próprio Disney, capturando e absorvendo toda a ambiguidade de sua personalidade.

De gatinhos fofos a ursos divertidos, bichos em geral sempre resultam em personagens interessantes, seja nas histórias em quadrinhos, na TV ou no cinema. O rato, por ser um bicho repugnante, não deveria ser um modelo para tal, no entanto, a partir do Mickey, outros ratos surgiram no cenário nacional e internacional. O simpático Topo Gigio, criado na Itália, em 1958, por Maria Perego, ficou conhecido no mundo inteiro e, no Brasil, fez sucesso em programas apresentados por Agildo Ribeiro, que tinha Barata no sobrenome, mas nada a ver com o inseto. Até o Pasquim, tabloide mais famoso do País nos anos 1970, teve seu rato de estimação, o Sig, uma criação do cartunista Jaguar. Recentemente apareceu o Xaropinho, um boneco bem maluco, como diz o próprio nome, que faz parte de programa de Carlos Massa, que também tem o apelido de Ratinho, nas telas do SBT.

Saindo dos desenhos animados, mas permanecendo no campo das HQs e cinema, temos super-heróis e vilões em forma de insetos ou outros animais. O mais famoso deles é o Homem-aranha, criação de Stan Lee, que salvou a Marvel da falência por duas vezes. Todos sabem que o universitário Peter Parker é mordido por uma aranha radioativa e desenvolve superpoderes, transformando-se numa aranha humana. A aranha, apenas a título de informação, não é um inseto, mas um artrópode.

O Homem-aranha tem inimigos de toda espécie, incluindo o Abutre, personagem meio sinistro que deve fazer parte do próximo filme do popular cabeça de teia e o Lagarto, que se esconde nos subterrâneos de Nova york. Outro que habita os subterrâneos, mas de Gotham City, é o Pinguim, inimigo do Batman, que nasceu tão feio, que os pais, milionários, ordenaram aos empregados que dessem um sumiço nele. O serviço mal feito resultou num vilão terrível, que se criou e cresceu nos esgotos, num caso único de um pinguim saído dos esgotos. Os vilões do Batman costumam ser mais interessantes do que ele próprio e está aí o Coringa, para comprovar nossa tese. Do Homem-formiga à Vespa, passando pelos mutantes X-men, a galeria de bichos/insetos e heróis/vilões é imensa e assunto para um livro de centenas de páginas.

Mas não dá para encerrar o artigo sem falar da Cobrinha azul e o indefectível besouro japonês, desenho animado produzido pelos estúdios DePatie-Freleng Enterprises, que fez algum sucesso no Brasil por volta dos anos 1980. A cobra azul existe e é um dos repteis mais rápidos do mundo, tanto que a cobrinha do desenho se vangloriava desta capacidade, mas mesmo sendo muito veloz, quando saía para buscar comida, nunca conseguia pegar o besouro japonês, que era faixa-preta em karatê. Ele, invariavelmente, escapava. A cobrinha, além de apanhar ainda tinha que ouvir a musiquinha, ao mesmo tempo irritante e divertida, que o besouro saía cantando, com os bracinhos cruzados: “Toli, toli, tolá, a cobla ficou lá!”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *